22 de fevereiro de 2024

Um retrato

Agora
eu sei que te perdi para mim mesmo

Meus
defeitos afloraram

Antes
eram virtudes

Agora,
feiuras

Minhas
feiuras e maus traços

Posto
que o meu peito sente,

ressente-se

Pena
não sei me pintar

Se
eu pudesse e soubesse me pintaria com as cores do teu desejo

Com
o doce do teu beijo

Com
o riso do teu encanto

E
com a vida da tua vida

Com
céu e tudo…

Mas
sou um moribundo

Vivo
no mundo da ilusão

Desfaçatez

Faço
tortuosos versos

Num
português vulgar

Incapaz…

Mas
sei te amar

Ainda
sei

Sinto,
ressinto-me

Olho
para a parede e me vejo na foto em preto e branco

Agora,
sem cor, sem som, sem traços, sem tom

Um
amarelado do tempo

Apenas
sobras do que fui

Num
labirinto

E
vagamente na memória do que foi o nosso amor

Único
e sublime

Mas
hoje até flores murcharam de saudade de ti dentro de mim

Os
passarinhos calaram

As
folhas quietaram

As
pegadas apagaram

O
som silenciou

Mas
ainda assim guardo essências tuas

Mas
espere um pouco, enquanto me guardo no armário do tempo

Quem
sabe assim, sentirei a brisa do vento que te toca

Uma
vez que não me olhas mais…

E,
no reflexo do nada, estou

À
sombra do invisível

 Nilson
Ericeira