25 de fevereiro de 2024

À platônica

Flor,
tão simples, bela e sensual

Cumplice
do silêncio e desejos

De olhar
sedutor e ser de amor

Sê-de a
flor ao desabrochar

Sede de
mulher que quer amar

E a
maresia que ‘mareia’ meu coração

Flor da
estação

Quem nem
se apercebe, mas notada

No coração,
na oração e na alma

Quiçá
eu, um pedinte, estimulado pela beleza dela

Que em
figura ou em onda é mulher

Que de
tão bela diz coisas que escuto mesmo a distância

Passante,
passou, passarinhos

Num
arrebol distante, eu a grazinar distante

E se
pelo menos soubesse que sua essência reflete

Igual o
sol das manhãs

Humedece
igual chuva pertinente

Feito
folha que quer seu lugar

Lança
sobre o tempo os seus pedidos

Tomara
que um dia nun cantinho da vida, lá esteja

Fazendo
estrume, regando a natureza que dela proveio

E, ainda
assim, nem que seja de escora

Lhe
sirva, mesmo que senil

Pois no
teu amor velejo, vejo-me, velejarei…

E, quem
sabe, descendo rios

Encontre-me
com o teu amor

 Nilson
Ericeira