Coisifiquei meu ser

Coisifiquei meu ser
Hoje abrir a minha janela
Não me enxerguei
Não vi pessoas
Não senti o tempo
Não percebi a chuva
Em obscurantismo comigo
E com o mundo
O que me é posses,
não vale nada
Vi seres anônimos
Pessoas estéreis
Apegados à matéria
Uma gente sem alma
Seres absolutos
Mas incapazes de ser veem
Pois em espelhos opacos
Que fazem dos atos suas falas
Novamente abri e fechei a janela
Noutro prisma, as mesmas coisas
Pessoas sós em multidões
Debrucei-me e, então, chorei
Lamentei profundamente
Por essa gente demente
Uns ególatras que tiram férias
Desprovidos de humanismo
Pois incapazes de se reconhecerem
Infelizes que riem de si e de todos
Resolvi atribuir conceitos
Julguei-me um incapaz
É que quem não se ensina
Nunca saberá o que é o amor
Pois o que resta:
um ser coisificado
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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