O sábio

O sábio é sábio porque não sabe.

O sábio sabe que não sabe,

talvez por isso, sempre aprenda

O sábio escuta mais que fala,

por essa razão sempre respeita o outro.

Educa-se com os outros e está disponível a aprender.

Todos ensinam o sábio e até ele próprio se auto-ensina.

É bem melhor ensinar quem não sabe a quem já sabe tudo.

Talvez por isso, não saiba.

O sábio pede para repetir coisas bem simples.

E repete, repete, repete…

Escuta, escuta, escuta outra vez

Pede explicações e mais explicações…

É um admirado, vive a se admirar de tudo.

De simples coisas até as mais pomposas.

Os porquês da vida são alimentos do sábio.

O sábio nunca se imagina sabedor de nada.

Nada é absoluto para o sábio.

Talvez por isso passe por bôbo.

E se algum dia depara-se com quem já sabe tudo,

admira-se!

Mas tem pena e pede piedade,

pois nasce mais um tolo.

O sábio é ouvinte, ouvinte e ouvinte.

Em tudo que ver e escuta leva para todos os sentidos.

Busca as inteligências e as analisa.

O verdadeiro sábio é o que não sabe nada.

O sábio não usa de estéticas ou descaminhos.

Ele é o que realmente é, não finge.

Ele suporta até a dor e tira proveito disso como lição.

O sábio é diferente, é humilde sem humilhar-se.

Inquieto parece um tolo, mas não é.

O sábio junta as letras, forma palavras e textos.

O sábio usa ponto e vírgulas, mas nunca um ponto final.

É lexical!

O sábio abri-se para aprender, está sempre disponível.

Traz no peito o sentido do amor.

Pois tem consciências que não é sozinho no mundo.

O sábio não vive em mundo de ilhas.

Cuida da natureza e respeita a liberdade.

Consome os alimentos de que dispomos para não envelhecer.

Aliás, o sábio nunca envelhece, sempre brota de si a vidas.

O verdadeiro sentido da vida para ele é a verdade.

Não que ele não seja gente.

É gente da mesma forma que todos os outros aprendizes.

A insipiência do sábio é a vida e tudo que dela se pode tirar.

Ele nunca se apresenta, omite-se a pretensões.

O sábio usa os lhos para ver e enxergar,

a boia para se alimentar não só de comida.

Veste-se não só de roupa, indumentárias,

mas de saberes e morais.

O sábio talvez nem exista.

Nilson Ericeira

(Robrille)