22 de fevereiro de 2024

Uma lágrima muda

Que nos faz chorar por dentro

Aos poucos umedecendo os olhos

Como maré de enchente
É saudade de gente

Algo que parece não dizer o que quer dizer

Que vem e que fica

Que voa…

Assim é forma da saudade de todos os dias

Muda e sem forma

Sem cor, sem tom, sem voz

Da forma que o amor fez

Subjetiva para nos rasgar o peito

E cicatrizante igual o amor é

É a mesma saudade que nos fragiliza

E nos faz rochas

Que nos faz dialogar conosco mesmos

E que nos aparta no ar

Vai além dos mares

E faz depósito em nosso coração

Assim, sem palavras

Cheio nos olhos e no coração

Com um infinito léxico

Nilson Ericeira