Uma sede

Sede de
quê?

De
justiça.

Sede por
quê?

Por que
ninguém me escuta.

Porque
tenho fomes.

Por que
sinto sedes?

De quê?

Sede de
amar.

Fomes de
justiça.

Fontes
de mar…

Fomes de
amar.

Por que
desse fosso social?

Porque
há “política”.

Nem
essas políticas…

E por
que ainda passamos  fomes?

Tantas!

A
justiça é a que sai da barriga e muito mais do coração…

Por quê?
Porquês.

Porqueiras,
por que isso?

Omissos,
vamos!

Pra que
lugar.      

Mas há
um lugar?

Lugares
incertos.

É a
política.

É as
“políticas”…

Politiquices,
malabaristas,”palhaços”, politiqueiros…

Enquanto
isso, lá fora jorra.

Frouxa-se
nas mulheres sem pão,

Homens
sem teto, sem foto,

Sem
dotes e,

De
coração ferido, sem trabalho, saúde e políticas…

Mas eu
sou órfão de que?

O homem
já não se cabe em si.

Ele
corre à justiça.

Lá fora,
outras crianças ainda brincam, moleques.

E seus
pais amam um país pária.

Mas por
que ninguém nos escuta?

  Nilson
Ericeira