20 de fevereiro de 2024

Asas feridas

Porque
não me encontro certas vezes, mesmo que me busque no meu próprio ser

Nem sei
se é devaneio ou mesmo displicência no meu semeio

É que às
vezes voo alto lá céu e nem chego a me dá conta que tenho as minhas asas
feridas

E por
vezes risco o céu dos meus desejos só para ver ser te vejo bem de perto lá em
cima

Mas
quero que saibas que mesmo com as minhas asas feridas,

é no meu
coração que encontro forças para seguir

Então,
eu vou voando mesmo que sangrando, pois pode ser que um dia eu te veja ainda
assim

E quando
no meu sobrevoo eu vislumbrar que ainda posso voar,

vou te
buscar onde estiveres, pois é grande a minha fé

E lá no
céu, no infinito, ou em qualquer lugar, não perderei a esperança de te amar

Enquanto
isso, vou curando as minhas asas, sarando as feridas que se põem no meu coração

Ainda
assim, todos os dias bem cedinho, quando abro a porta do meu coração,

vou
correndo para mais uma vez de oferta a minha unção

Agora já
não me vejo como antes em que esperava o sol nascer

e logo
batias as minhas asas na ânsia de te ver

Pois é
amor o que sinto dentro de mim,

um amor
tão lindo quantos àquelas flores que deixaste em nosso jardim

Neste
instante eu já até esqueci que estou ferido

e já
estou no espaço distribuindo outras sementes que restaram do nosso amor

É que há
sementes que só maturam com o tempo

e há feridas
que só cicatrizam com o amor do coração

 Nilson
Ericeira