Tempestades

Era noite fria

Caturros adornavam a casa inteira

Jias, sapos, girinos, muriçocas…

Numa lagoa que cobriam nossa intimidades

Na rua, cápri latia feito lobo no cio

Ferós respondia

As ovelhas do velho Dico se arrumavam

No quarto da casa velha,

os bruguelos dormiam um sono tranquilo que não acaba mais

A mãe vigiava as crias, o pai atento às ‘meançabas’

A segurança a Deus pertencia

Na sala, um tabuleiro velho

O supridor da boia de todos os dias

Na janela uma tábua de ‘madeirite’

Ostentava o time de preferência

Nas paredes, gaiolas que prendiam a liberdade

No quartinho, uma tarrafa de fio estendida

No jirau, peças de louça de fina estampa

Pratos de estanho e latas de doce

Embaixo, a lama fedorenta da sujeira dos dias

A chuva caia no teto esburacado

O vento zinia…

Os meninos nem se importavam

E o seus pais sonhavam acordados!

Nos cantos, as redes esticadas com lugares de status

As luzes do céu assustavam

Minha mãe rezava e ajoelhava-se em clemência à Santa

Perpétuo Socorro, das Graças e Bom Jesus!

Não havia ninguém na rua

Só vaga-lumes indicavam caminhos…

Do majestoso, um vento frito passava da janela grande

Assim, o tempo passou

Mas a tempestade ficou

Nilson Ericeira

(Robrielle)

Nilson de Jesus Sousa (Nilson Ericeira), nasceu em 8 de novembro de 1962, no Município de Arari – MA. É filho de Clemente Duarte da Silva Sousa (Clecy) e Eliesita Ericeira Sousa. De origem humilde, Nilson Ericeira passou sua infância e adolescência em Arari, aos 17 anos veio morar em São Luís, em república, entre estas as Casa dos Estudantes Secundários do Maranhão (CESM). Logo começou a trabalhar na função de servente ou office boy na Seduc, pela Vicol, empresa de conservação e serviços. Na Seduc, exerceu ainda os seguintes cargos: datilógrafo padrão 5, repórter (técnico de nível superior), professor, coordenador e assessor da Assessoria de Comunicação (Ascom/Seduc), professor, chefe do setor de frequência e outros.

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