Face V

Oh oculta face minha
Dize-me de minha imagem
Em qual espelho melhor me vejo
Se em objetos planos ou a ermo em ilusão crescente
Ou nas faces da minha própria vida
Mas coloque-me em caminhos de que não me perca
Ainda que a andar sozinho por aí…
Buscando os abraços de que tanto desejo
Ainda que em malfazejos olhares
Olhares que são a própria censura
Ou clausura, talvez
Mas me perdoe por não ser tão bondoso
a pedidos piedosos
Em análises às condutas, me tenho esquecido
da pessoa, do ser, do humano
Do que é justo e equânime
É que me tenho conflitado com as faces minhas
ante a maldades do mundo
Ora me vejo, noutras, opaco
Embebecido pelo egoísmo que nos cerca
Ainda que escondamos, pois numa sociedade de estética
Vivo a minha própria conveniência
e tudo parece tão natural
Mas eu sei que a minha face oculta ama
A outra reclama tanto de futilidades
À minha luta proclama
Isso sem se enxergar pelo menos um pouco
em primeiro plano
Tenho pensado que sou igual um vaga-lume
sem pressa nenhuma
Mas que se apressa em se esconder
ainda que em noites escuras
Mas lá de longe mostra seu facho
Ainda bem que tenho uma fonte que me resguarda
Guarda-me em faces para poder sonhar,
criar, recriar e juntar letras assim ilusórias
Ainda que de demência me acusem
Pois penso assim tão diferente que me assusto
Com os tais tribunais dos homens postos
Agora principalmente em que todos têm
a ilusão de juízes prolatores
Esquecendo-se de suas próprias faces
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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