Confidências

Há coisas que não contamos para ninguém
Nem para o melhor amigo
Não porque não as convêm
Mas sim porque não podemos
Degustamos a saudade no peito
Remoemos por dentro
Segredos fáceis de ser entendidos
Porém abrigados nos nossos corações
Nem tudo podemos dizer, falar, expressar
Lá no peito, guardamos segredos
Contemplados pelos sentimentos
Feito cimento ou a argamassa do amor
Calamos quando é preciso
Numa aparente omissão
Porém, o coração, às vezes, nos denuncia
Rompendo às nossas próprias barreiras
Como que num preconceito permitido
Permitido pelas circunstâncias
Mas no fundo, no fundo gostaríamos que todos soubessem
Sem nos importar com as consequências
É que, quase todos, em algum momento,
seres somos arbitrários
Ao ponto de nos libertarmos de nós mesmos
E, assim, darmos vazão ao amor
O amor que nos é confidente
Um amor existente, porém camuflado
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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