
Por vezes, tenho a impressão que estou caducando
Pois vivo a cutucar feridas sociais
Cutuco até as que não têm nada a ver comigo
É que me sinto atingido no todo ou em parte
Na prosa do dia a dia vivo a perguntar
Sou um inquiridor da vida
Por isso, meus versos,
porém confesso, reversos em mim
Sei que a incompreensão faz parte da vida
Mas não me acostumo com a ingratidão
Ingratidão é ferida aberta que sangra
Na minha caduquice não desprezo os amigos
Não ignoro pessoas…
Sou do mundo, os mundos me são lentes
Ainda que eu silencie, não há conformismo em mim
Não compreendo a dor produzida sem sentidos
E como deve doer as feridas de quem perdera seus entes
Os escombros do mal
Maléficos!
Enquanto isso, o riso de sanguinários do mundo
E a corroboração de uns ignorantes
Portanto, senhores, eu sou caduco
Ainda que me custe uma grosseira antipatia
Um desmolde em tempos midiáticos e arbitrários
Mas há um conforto em mim,
não neguei a mim mesmo
Aceite-me por inteiro para ser justo com o que é justo
E não levar comigo um patrimônio que não me caiba
Talvez conforme a minha pequenez
Ou melhor, caduquice
Nilson Ericeira
(Robrielle)
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