22 de fevereiro de 2024

Na caverna

Na caverna

Há um silêncio

Todos em silêncio

Num tempo sombrio

Uma humanidade de aparência muda

E taciturna

Recolhida aos escombros

Emitindo sons inaudíveis

Refletindo sobre coisas suas

E do mundo

Padecendo calado

Assistindo a um mundo sombrio

Procurando respostas

Fazendo perguntas

Buscando justiça

Alheio a tudo

Ou a quase tudo

Pois insiste em escutar a voz

A sua voz muda

Do seu próprio coração

Em silêncio

Buscando os ecos no tempo

Escutando a dor dos que que não têm

Dos desvalidos,

Desabrigados,

Desalojados,

Famintos…

E quando vê clarão no céu

Congela seu coração

Pois enlameiam de sangue e dor os irmãos

Sente-se impotente e pobre

Faz do silêncio o seu protesto

O seu maior e mais expressivo protesto:

A dor do irmão!

E grita rasgando-se em si mesmo

Libertem-se, liberte-nos

Pois a vida não é uma caverna

Nilson Ericeira