25 de fevereiro de 2024

A vida de um colibri

Escondo-me em mim mesmo

Ilações, encucações, devaneios

Ponho-me asas…

E as podo quando conveniente

Escureço e alumio

Ainda bem que sou gente

Senão, vaga-lume

Colibri passante, passageiro,
passarinho

Pois em visagens

É que, às vezes vivo nos escombros

Noutros sou nobre

Habito, habilito-me

Habito em casarões

E, de repente, dou-me no cantinho
qualquer

Vejo-me em solidão

Trago quem mora longe

Tranco as minhas portas

E não permito despedidas

Depois me devolvo a mim mesmo

Então, eis que novamente eu e mundos

Recomponho-me em outras cenas

  

   Nilson Ericeira