27 de fevereiro de 2024

Zé Fungíncio

Vive fugindo
de si mesmo

Vive
fingido que vive

E se finge
de morto

Enquanto
espera a morte

Vagando,
vagueia, disfarça…

Se
esconde…

Vive na
maromba da vida

Na
penumbra da noite

E o dia
que vem

O dia
que vai

O que
fica

No
ocaso…

No outro
dia esperado

Vive a
noite e o dia inteiro

Olha pra
lua inteira e a ver em pedaços

Ainda
assim se gaba de ser o melhor

Bebe
água e mata o rio de que bebe

Intoxica
com o desvalor

Endinheirado,
assiste a mortes

Assiste
mortes…

Assiste
na rua

E chora,
sente saudade, rir e se despede

A sua saúde
é a dor sentida

O último
suspiro,

A falta
de ar, a ausência de amor

Empatia,
antipatia, empatia…

Mas no
dia da sua despedida,

despedem-se,
aplaudem

E calam!

    Nilson
Ericeira