27 de fevereiro de 2024

“Buliar ou burilar”

Ah meu pé de ferro!

Meu afiador.

Minha torquês.

Minha agulha fina.

E corta-bico.

Meu debrum.

O sustento de uns meninos.

Meu alicate.

Arestes pra todos os gostos.

E cola de sapateiro.

Com grude de goma.

Meu tabuleiro velho.

Meu parceiro, meu amor…

Meu calçado de couro.

Verniz do meu coração.

Transcendência do meu ser.

Repouso da minha alma.

O que tilinta em minha cabeça.

Martelo velho, martelinhos…

E o velho pôncio!

Um ferro de bico.

Um arrebite, umas travas…

Draga-me a máquina esquerda.

Uns pontos do meu coração!

Nilson Ericeira