
Por Nilson de Jesus Sousa ( Nilson Ericeira)
Jornalista, professor, poeta, escritor, psicopedagogo e advogado
É máxima dos mais idosos que ‘coisa oferecida não tem preço’ e ‘que quem muito se abaixa alguma coisa mostra. Dito isto, digo-lhes mais, que não precisa rastejar para lucrar com alguma fatia do poder, isto sim tem nome: trata-se de indignidade. Pois não é de agora, mas me parece mais enfático e necessário, agachar-se ante a quem tem o poder provisório, para ‘lucrar com alguma coisa.
Imaginem que uma pessoa empenha a sua dignidade, o que ela tem de mais íntimo e sagrado, para encontrar qualidades em que sabe não tê-las! Afere-se a isto um modus operandi, uma maneira que encontraram para se dá bem, como na linguagem popular entoa. Para que se ter uma noção do abismo da hipocrisia ou indignidade, há pessoas que mudam de lado tão logo perceba ou saiba que vai ser o próximo ocupante do cargo provisório. Porém, no discurso, juras de amor pela ‘amada terra’. Então, estava certo Pero Vaz de Caminha, na sua carta do ‘achamento’, que ‘aqui em se plantando tudo dá’, tanto é que sementes assim têm prosperado.
Empenhar a dignidade é empenhar-se, algemar-se pela sua própria vontade e desejo pelo cárcere, pois quem não tem dignidade não tem áurea ou amor próprio. Mas é bom que se diga, o narciso faz de qualquer plano o seu espelho, desde que este reflita a sua imagem realmente como é: a de um hipócrita assumido. Com isso, não nos enganemos, quem age assim, não sente vergonha de si mesmo, pois sempre a serviço do que lhe interessa.
Mas quem disse que ‘coisa oferecida não tem preço’? Claro que têm custas e despesas arroladas num só pacote. Com acesso quase livre ao ‘assessorado’, consegue sempre alguma coisa, mesmo que não seja o acertado num suposto acordo. Enquanto isso, alguém é lesado na base de sua cidadania.
Quase livre ao ‘assessorado’ – pois nem quem recebe todo tipo de informação nas vinte quatro horas do dia e chega a adentrar na calada da noite, confia realmente nos répteis que lhes servem, pois deve saber, e se não sabe deveria saber, que o poder-provisório limita a permanência desse tipo de gente no rol das ‘amizades’.
Gravitam em torno da casa grande sempre captando o melhor flash.
E se isto não acontece em algum lugar da pólis, reitero minha preocupação com a minha percepção e prometo produzir outras falas nem tão antipáticas assim.
More Stories
PENSAMENTO DO DIA
Arari tem gente especial
Arari em um louvar poético