Confissão ou sentença

Eu quase nada sabia
E continuo sem saber
Não saberei, nada saberia
Eu não sabia que tropeçaria em tantas pedras
Que erraria os caminhos
Que, sozinho, sem ninho,
apeguei-me, abandonei-me
Que me negariam abraços
Eu continuo sem saberes
Sem vestes, sem nada, despido em mim
Eu não sabia que doeria tanto
Não sei se dor ou cicatrizes
Essas feridas em mim
Confesso, eu não sei, não saberia
O riso de encanto seria pranto
Que a alegria da chegada um dia seria despedida
Que o amor secaria, enrijeceria
Seria rocha, o apocalíptico ou erros
É que quase nada eu sei ou sabia
Pois um acéfalo no tempo
Que se desfaz do ilusório
Pois a dor sem ilusão parece doer bem menos
Ainda assim caminho, descaminho, caminharei…
É que herdei o dom de ser o meu próprio poema
Talvez uma biografia inversa ou autoilusão
Por isso atesto, não sei, não sabia, não saberei
Talvez um dia, ao tempo que eu desça, suba
Ou melhor, suma
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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