Pai,

Você segurou minha mão,
Consagrou meu chorar
E meu sorrir.
Quando algo me incomodava,
Guardava-me no seu peito.
Sentiu a minha fome e dores
Agruras que a vida me fez,
Cicatrizes que são marcas em nós…
Você me projetou para o mundo
Eu cair nele
Muitas vezes sofri
Chorei sem que ninguém escutasse
Indignava-me pela sua aparente ausência,
Andarilho, em sonhos,
não entendia.
Queria escutar a sua voz outra vez
Que fossem imperativos,
Voltar a escutar teu coração
Como alento para a minha incipiência.
Pai,
Lembra do meu balbuciar?
Engatinhar,
Rolar,
Dar passos,
Falar: Paaa paii!!!
Depois de cair muitas vezes
Sempre procurando a tua mão na minha.
Você se encantava
Se encenava
Me ensinava
Me amava
Me cuidava,
Que coisas mais linda!
Anda!?
Vem correndo pro meus braços!
Encorajou-me a outros passos
Outros encontros e desencontros,
Escutou meu coração
Decifrou a minha voz
Limpou-me de impurezas e excreções.
Você sacudiu-me,
Despertou-me para a vida.
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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