Meu canto recluso

Existem momentos em que precisamos nos afastar

E assim nos aproximarmos de nós mesmos

Procuramos um canto de nós para reflexão

Numa oficina onde somos aprendizes e mestres de nós mesmos

Ilações, devaneios, inflexões, elucubrações, semeios, projeções…

Nada que a razão não nos responda

Arte do nosso ofício

Por vezes, marcamos novos encontros conosco mesmos

Assim seguimos, num canto de nós, num canto da vida

Procurando encontrar um sentido para a nossa vida

Tudo que fizemos ou deixamos de fazer

Amores por que passamos, o amor que ficou

É que todos temos o nosso cantinho de diálogos

Estendemos as nossas rede e colhemos as melhores imagens

É no nosso lugar recluso que enchemos os nossos olhos

e abastecemos os corações

É destas forma que abrimos novos caminhos para a vida

Trazemos pessoas para nos acompanhar e estabelecemos comunicação

Da melhor forma possível, do jeito que desejamos

Eu sei que cada um tem um cantinho de reflexões

É como se amanhecesse o dia e não quiséssemos sair

Com uma vontade imensa de ir buscar o sol no ocaso e recomeçar!

O melhor de tudo é não ocupar lugar no espaço e no tempo

Um espaço sideral do nosso espírito divagante

Ser assim, um ser arbitrário que faz das letras seu próprio ar

E num canto qualquer da vida, num canto do mundo, encontro razões para amar

Pior isso, faço-me recluso para o teu amor arbitrar

Nilson Ericeira

(Robrielle)