27 de fevereiro de 2024

Vaga-lume solitário

Cai
a tarde sobre mim

Anúncios
de ventanias

Tempestades
em fim

Antes,
calmarias


até escuto bem de longe os ruídos do céu do meu corpo

Finjo-me
em surdez

Nudez
e dissimulações

Pois
ainda alimento fantasias

Mesmo
que aos poucos o céu da vida me escurece

Afogo-me
em mim mesmo

Em
águas crescentes de angústia

Lágrimas
em rochas ressequidas pelo tempo

Trovejos
e relampejos

Assim
riscam em raios o meu céu tão escuro

E
velejo à deriva no tempo

Escombros
de mim habitam

Cético
que sou pelo amor

Pelo
e por amor de quem verdadeira amei!

Pois
ainda sinto uma dor assim tão doída na alma

Ao
ponto de me por em estado de emergência

Pois
de coração gélido

Corpo
esquálido

Membros
bambos

Olhos
turvos

Ouvidos
sem audição

Olfato
sem comunicação

Respiração
sem ar…

Ainda
bem que minha alma incerta

Vaga
feito vaga-lume no cio

Em
noite e noites de espera

Ah
céus dos meus dias!

Dias
felizes da minha contabilização

Por
que passaram?

Nem
mesmo em sinais me deram de despedida

Hoje,
conflitos me dilaceram

Feito
tecido feito em agulha quente

E
pele de um lobo cioso

Em
noites e noites de espera da lua

A
uivar como se em recíprocos ecos

Talvez
por si sós anunciassem a sua própria solidão

 Nilson
Ericeira