23 de fevereiro de 2026

Nu meu barco sem leme

Longe dos olhos

Bem perto de mim

Tão distante

Tão quanto eu

Ausente

Escrevendo coisas sem nenhum sentido

Evasivo

Delinquente no mundo

Mudo e admirado

Errático

Pobre, poeta, parado

Estático e em devaneios

Inerte a tolices e asneiras

Longe, muito longe

Num barco à deriva

Absorto e sem graça

Rindo de si mesmo

Como que num picadeiro

E na plateia

Esperando a última apresentação

 
Nilson Ericeira