filho fidalgo do Carne Sêca
Nasci
numa época em que muitas pessoas viviam com muita dificuldade
em Arari, meu pai
era sapateiro e pescador, a minha mãe, além de cuidar da casa, dava aulas ou no
Mobral ou em escola da rede municipal de ensino.
Quando
crianças, eu e meus irmãos íamos muito ao Bairro Carne Sêca, onde denominávamos
os seus limites: do comercio do senhor Dico Batalha até a última casa de
igarapé, de que não me lembro do nome, mas eu e meus irmãos Riba e Paulo César,
pescávamos camarão, de tarrafa ou de côfo. O certo é, que ainda me lembro que
lá existia a escola da professora Maria Costa, que ficava mais ou menos onde
hoje existe uma escola do Município.
Seus
moradores: João Pedro, Eulálio, Maria Rita, Maria de Eulálio, Luís Domingues,
Zizi, Artemires, Deodoro, senhor Raimundinho, Del, Dica de Del e outros.
Refiro-me aqui só naquele trecho próximo à ponte Itapoã.
Vale
destacar que, após os moradores mais antigos deixarem a parte após a ponte,
outros moradores ocuparam o mesmo espaço e atualmente é denominado bairro da
Coréia.
Quando
a construção da ponte dera os primeiros sinais, a vida de quase todo mudou, um
exemplo disto é que no caso de nossos avôs Eulálio (Palaio) e Maria (Bibi) que
tudo mudou radicalmente, uma vez que a ponte passa exatamente onde era a casa
deles.
Alguns
viviam da roça, da pesca, da venda de produtos de suas hortas e da confecção de
tarrafa. Meu avô Eulálio vendia banana, leite, ovos e outra especiarias, a
minha Bibi, além de fazer azeite de côco e cuidar de uma bela horta, passava e
lavava para fora, com o advento da ponte, a sua renda melhorou, pois passou a
vender o seu serviço, para os novos moradores da terra de Arari.
Lembro
como se fosse hoje, eu e meu irmão saíamos na rua vendendo banana na bacia e
gritávamos: ase, ase, aêêêêêê… a banana! Chega dona Maria, chega na freguesia,
é banana maçã, macia, quem tem dinheiro compra, quem não tem espia!
Tudo
era muito simples, mas os moradores investiam no estudo dos filhos. Deu-me na
lembrança de um exemplo de que os pais investiram nos filhos e arcavam com as
despesas da escola mais tradicional de Arari, com a venda de ovos. Diziam que
precisava investir, pois não somente estava garantindo o futuro deles mesmos,
mas dos filhos.
E
escolhera um deles para mandar estudar fora de Arari, investiram tudo que
produziram. O fidalgo se formou, conquistou bons empregos e era amado e
lisonjeado por todos da família. Mas vindo de uma família muito pobre e grande,
resolveu afasta-se de todos, apenas com visitas esporádicas e exíguas,
raramente era visto em Arari. Mas esta é uma segunda parte do texto que logo,
logo publicarei.
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