25 de fevereiro de 2024

Ilha de palavras

Seduz-me
palavras minhas.

Palavras
soltas, palavras ventos, ao tempo.

Seduz-me
palavras ditas, não-ditas, benditas,

Palavras!

Palavras
que dizem e que não dizem.

Omitem.

Palavras
que frustram, que doem, maltratam, ferem.

Palavras
lexicais, fecais, mortas, vivas em ondas.

É
crista. Escrita.

Cerca-me
de tua textura, faz-me mundo:

Mundo
de palavras, significados, céus…

Quero
dar asas a meus pássaros, sinfonia à minha orquestra,

Amor
a meu amigo. Ao que não é.

Quero
palavras, quero sentir, escrever, dizer: eu te amo.

Quero
um lenço de palavras.

Abraçá-la
na mesma intensidade de palavras.

Seduz-me
palavras minhas, escravas, senhoras, rainhas…

Quero
ser engolido por ti, num texto alucinante, elucubrante.

Desejo
viver igual a uma ilha, cercado de tudo.

De
seres, de teres, objetos, homens, mulheres, cama e frio.

Quero
a palavra mais certa no espaço certo para alguém perfeito.

Quero
ser córrego, igarapé, rio, regato.

Quero
escrever, sentir, amar.

Seduz-me
então para cada vez mais te descobrir.

Mas
quero te dizer que sou ilha diante de ti.

Palavra
sábia, palavra parida de palavras, palavra mágica.

Em
tudo há palavra, significantes e significados.

Quando
se esvai, solidão do meu poema.

Quando
vem, certeza de me tornar ilha.

Nilson
Ericeira