20 de fevereiro de 2024

Homem máquina

Não há
tempo mais para nada

Não há
tempo para o braço

Para o
afago

E para o
amor

E até
para a vida matamos o tempo

A pressa
tem nos tirado o tempo

De tempo

Não há
tempo para o amor!

E sobra
para futilidades

Estamos
sempre com pressa

Mas precisamos
nos reencontrar

Pois não
há tempo para os nossos pais

Para os
nossos irmãos e amigos

Sobra-nos
para orgias

É que
estamos sendo consumidos pelo tempo

E nos
equiparamos a máquinas

O pior:
mortíferas!

Quando
nos arrependemos,

não há
mais tempo para nada

Deixamos
escapar dos braços os abraços

E nos
perdemos nas malhas da vida

Teias
que se fizeram no tempo

 Nilson
Ericeira