22 de fevereiro de 2024

A solidão e o meu crepúsculo

Em
vão caminhas…

Segues
nos torrões desta vida em sina

Peço
que venhas me ensinar a não caminhar em perambulações

Assim
posso me deitar no teu peito e escutar o teu coração

A
dizer-me talvez o que não desejei

Não,
eu não desejei ouvir que deveria me desiludir

Mas
assim prefiro a ter que viver a me esconder do que sinto

E
se disseres o que não quero ouvir

Prefiro
mentir a meus apelos a continuar essa desilusão de amar

Amar
a quem não me quisera nem por alguns segundos

Alguém
que meu peito prometera o amor maior do mundo

Então,
recluso, encosto-me nos meus próprios escombros

Para
sair desse casulo que eu mesmo construir e continuar a me iludir

Pois
assim prefiro

Pois
essa ilusão que é minha, é depósito no meu coração

Mas
eu ainda aspiro a que num sopro de razão, aperte as minhas mãos

E
diga: eu te amo!

E
quando me olhares sorrindo, derramando risos incontidos e a felicidade do meu
amor só para ti

Abraça-me
como quem também queira um abrigo, uma fonte de amor eterno

Mas
como tudo isso é ilusão, eu sobrevivo apenas de devaneios e sonhos

Eu
sei que isto não é muito para quem quer alimentar alma e o coração

E
enfeitar o meu ser para receber amor

Pois
me retiro sem que a tua indiferença seja percebida

Para
que o mundo não veja que meu amor que se esvazia no coração

E
numa solidão de fazer frio, sem abrigo, sem o calor que tanto esperei

Derramo-me
em graças…

Mas
me despeço bem antes que de outra desilusão me acometas

 Nilson
Ericeira