20 de fevereiro de 2024

Psicográfico

Ganhei
asas

Asas do
tempo

Com
tanta rapidez

Estúpido,
nem me dei conta de mim

Nem do
começo e nem do fim

E um
tempo se foi …

Um
outro, prometido …

À
procura de mim num eu distante

E
adentrei em camadas imaginárias de meu céu

Sumir no
tempo

Agonizei,
vivi, morri…  

Mas não
me tornei coisa

Ainda
bem que meu coração resistiu

Em
tempestade me segurei em mim

Mas
desabei em alturas

É que às
vezes deixei as minhas mãos sem o atrito

Àquela
liga do pulsar do coração

E
convencido sai me achando um herói

Quando
me imaginei chegando

Novamente
catei letras, juntei-as numa panaceia

Umas se
multiplicaram feito sementes pródigas

Outras,
à esterilidade

Deixando
pedras

Entraves
… descaminhos

Eu sei
feridas se abriram

Ao
relento e sem cobertor

Um tanto
absorto

Sigo na
ação das asas ao céu

Agora,
calejado e sofrido,

Sem
aferir culpas aos réus

E nem
por isso ou cousa alguma,

condená-los

E aspirante
a um tempo obreiro

Sem
temer me esvair ou me reconstruir

E em
tempo algum me esvaziar do que sou

Ou mesmo
lamentar

Pois sei
não sou o limite

E os nós
de nós serão tecidos

Nilson
Ericeira