22 de fevereiro de 2024

O preço do poema

O
preço do feijão,

Da
gasolina, do arroz e do pão

Agora
cabem no poema

O
fuzil, a violência, a descrença, um deus fajuto

E
uns fanáticos também cabem no poema

Pois
sobram fora das quatro linhas

A
afeição, o afeto, o amor!

Isto
cabe no coração e no poema

O
preço da carne, a cesta básica, o desemprego

Compõem
o poema do dia a dia do poeta, da dona de casa,

De
uma gente sem teto, sem esperança, sem chão e sem vida!

Pois
a indiferença, esta não cabe no poema

Senhores,
o poema está mudo, o coração sangra, a dor nos aflige

Pasmem,
mas ainda há os que aplaudem!

E
glorificam um besteirol de todos os dias

Por
isso, não descansemos, lutemos

Pois
o preço da apolítica acarreta noutras contas

Então,
a politização das relações, o credo, a fé

Ainda
há esperança, então não sangrem o poema

É
que o poeta está de luto

Nilson
Ericeira