Quase nu

Quase nu

Sem vestes sem posses

Quase sem nada para lhes cobrir as vergonhas

Correndo ruas com os bolsos cheios de bolinhas de gude

Com as costelas à flor da pele

Aliás, mais pele que osso

Assim venci a nudez da vida

As fomes que em me doíam

Para cobrir meu ser com caráter e vergonha

Pus os pés no mundo e me atirei nele

Morrendo de medos, sofri e chorei na solidão da república

Sempre preocupado com o que me vestia

A fome passou a ser um tempero normal

Antes um imperativo à necessidade de ter vergonha

Inocente ainda, nem sabia o que era estética

Mas a pobreza material dera lugar ao caráter

Ainda que com as agruras da vida

Esta se ofereceu como lições e desafios

A fim de não se desnudar para as coisas da vida

Preservou-se do inútil e volátil

Mas o tempo passou…

Ainda que a mocidade lhe oferecesse desejos

Cobrir-se era o seu fim último

E assim seguiu, moldado na nudez de outrora

E quebrando a nobreza de uma pobreza terrível

Mas sempre se vestindo com as cores da dignidade

E nos passeios com os pais,

O que o sobrava lá eram camisetas de ‘voltomundo’

Aqui uma saudade de doer nos ossos

Mas se com uma mão segurou a sobrevivência

Com as outras, o velho calção puído

Nilson Ericeira

(Robrielle)

Nilson de Jesus Sousa (Nilson Ericeira), nasceu em 8 de novembro de 1962, no Município de Arari – MA. É filho de Clemente Duarte da Silva Sousa (Clecy) e Eliesita Ericeira Sousa. De origem humilde, Nilson Ericeira passou sua infância e adolescência em Arari, aos 17 anos veio morar em São Luís, em república, entre estas as Casa dos Estudantes Secundários do Maranhão (CESM). Logo começou a trabalhar na função de servente ou office boy na Seduc, pela Vicol, empresa de conservação e serviços. Na Seduc, exerceu ainda os seguintes cargos: datilógrafo padrão 5, repórter (técnico de nível superior), professor, coordenador e assessor da Assessoria de Comunicação (Ascom/Seduc), professor, chefe do setor de frequência e outros.

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