O teu amor na minha caderneta I

Do que anotei na minha caderneta antiga
Restou-me lapsos de memória
Como num caminho que já começamos do meio
Ou um sonho fragmentado
Mas não apaguei o primeiro amor
Na igreja, na praça, no pátio, na rua…
Onde quer que ela estivesse,
logo eu apareceria
Fazendo peripécias numa bicicleta velha
Dissimulado ou metido!
Achando-me o primeiro dos olhos dela
Um bonitão e garboso acima dos comuns!
O dono da visão dela e de tudo que lhe tocasse o coração
Fui guardando no meu coração os bilhetes,
os olhares, a indiferença, o medo
Lembro-me como eu queria aparecer
Ser o melhor em tudo que fazia
Só para chamar atenção
Preservo-te no meu coração nos dias da minha vida
Um risco mal feito na lousa em sala de aula
A gritaria no pátio
A prova e as notas, tudo era só um pretexto
Assim, anotei no meu coração sentimentos em centelhas
Agora eu sei que a minha caderneta não pereceu no tempo
Pois memórias da minha vida
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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