Doce vida minha

Não se aparte de mim
Não me aparte
Pois de ti sou a parte e o todo
Busque-me na essência das flores
No riso e encantos das crianças
Na maturidade dos idosos
E em todos os diferentes
E, principalmente, no sentimento de quem ama
Assim me acederás em centelhas de amor e vida
Mas por favor, não se despeça do meu todo
Nem se aparte da minha composição
Nem me silencie para sempre
Pois meus componentes e sementes de ti derivam
Por favor, não se apresse de fechar a porta
Nem desligue a luz
Ainda que passe o tempo
Agora, sênior e taciturno, quase já não durmo
Pois vivo a me vigiar…
Receio que abras as postas do céu
Sou de ti e a ti voltarei,
mas não tenha pressa
O que vige em mim é vida
Ainda que me pareça noutro mundo
Preencho-me todos os dias de ti
Espero abraços possíveis…
E, recluso a minha solidão
Mas sei que é por culpa minha
Uma vez que a poesia me é alimentação
Trago sementes de amor e vida
E posso esperar estações
Mas por favor, não se apresse
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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