Contos da estrada II

Caminhei sozinho em multidões
Acho que provei da cicuta de Sócrates
Amargurei-me
Tornei-me um arbitrário das convenções
Pois não compreendia a desigualdade
A solidão me dominava
Pensei até que Deus havia me esquecido
Sofri sozinho e viajei no tempo
No começo difícil da estrada
Em caminhos e descaminhos
Pisei em espinhos, mas seguir
Avistei a flor e senti a essência dela
Do outro lado me parecia ser recomeço
Olhava para o tempo como se ele fosse o único culpado
Mais parecia um desalentado no deserto da minha própria vida
Passei pela fome orgânica e busquei justiça
Conquistei coisas que pareciam impossíveis
Servir a doutores de elevado saber
Encontrei a mão de Deus nas minhas
E, então, seguir e avistei clarão imenso
Alcancei harmonia no meu coração
Assim sigo, tecendo os fios da vida
Sem ódio e ressentimentos
Levando sementes invisíveis para muitos
Contando causos e maturando outras sementes
Mas sempre buscando a mão Dele nas minhas
Nilson Ericeira
(Robrille)



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