Arari na ilação poética

Chove na terra da melancia e da pororoca
Chove intermitente
Chove na terra de seu Abel, Clecy e Clemente
Que caia mais água nos telhados dela
Nas casas de todas as Marias
Chove pois chegará a hora de jogar a semente
Bate água no telhado da casa escura
O poeta: espia, escuta…
Ele também se alimenta de ilações
Vive na panaceia da escrita
Degusta o gosto de sentir saudade
Sente-se só na multidão
Chove, chove sem parar
Enquanto abraça a rua,
o rio bebe água da chuvas
O mesmo rio que alimenta e ostenta
É o mesmo que enche barrigas
Alimenta rãs e jias
Mas ainda chove e a água desce a rua
Em todos os córregos vai dar no rio
Agora, um vento frio sobra no céu de Arari
Mas nem todos se recolhem, maquinam
Afinal, é preciso ter cuidado com o erário
Afinal, bobos e sábios no mesmo nicho
O melhor seria, ninhos
Afinal, ratos procriam ratos
Mas ainda assim, tem-se fertilidade
Em meio ao amor e maldade
Desconexos!
E a chuva?
Já afina
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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