POESIA DE TODOS OS DIAS: ‘Marcas ou feridas’

Passei por certas coisas que hoje
não sabei como seria enfrentá-las
Coisas que me deixaram marcas
Moldaram-me e aproximaram e afastaram de certas gentes
Algumas doeram muito e viraram feridas
Sangraram, por certo
Outras viraram tintas e me compuseram
Coloquei-as em telas nas paredes da vida
Mas nenhuma dor conseguiu me esterilizar
Sou bicho e bicho-homem que ama e sai para a caça
Uiva feito lobo no cio e acalenta-se em si mesmo
Que reclama da dor sem se dispersar do amor
Com isso, digo-lhes que devemos curar nossas próprias feridas
Em momentos, enxuguei minhas lágrimas, cair, levantei
Seguir em caminhos que não sabia onde ia dar
Mas as marcas que a vida me fez não me travaram
Desse modo, sigo fazendo marcas e preservando outras
Sem perder a ternura e sem fazer das agruras motivos para desistir
Não somos perfeitos, contudo, a melhor análise que se faz, é enxergar-se
Enxergar a si mesmo é o nosso melhor espelho
Isso sem perder de vista os tempos do verbo
Nilson Ericeira
(Robrielle)



Publicar comentário