O abraço de espera

Hoje eu refletir sobre a ideia de me cercar de palavras.
Aliás, isto é uma ideia fixa.
De ser uma ilha entre as palavras.
Assim nunca me emudeceria…
Nem mesmo silenciaria.
Assim me desejo, em barulhos, zoadas, inquietudes…
Com o frescor da consciência e da paz de espírito.
Viver entre palavras é fazer-se poesias.
É viver em alegorias e até em fantasias.
Até se enganar para fazer de conta que é.
É ser completamente ser,
viver em vez de passar pela vida.
É ser ilha de si próprio e dizer coisas que ninguém diz.
É admirar-se da vida mesmo que em rotina.
É não saber nem de mais e nem de menos.
É não ter saberes, é saber com uma pitada de soberba.
Alardear do que sente o que nenhum outro sente igual.
É ter um sentimento único, portanto,
ilhado em si mesmo.
É amar!
Amar sem se importar com os que negam amor.
É uma espécie de autoconstrução de si mesmo.
Ninguém imagina ser ilha, mas se torna.
Assim como se um pássaro entre folhas e flores.
Uma planta aquática no leito do rio.
Uma navegação em mar…
Um pingo d’água solidário que dá frescor às flores.
O vento que desloca a semente…
Ou nossos primeiros passos na vida.
Assim, ser ilha de si mesmo é descobrir, se mar, se achar.
Abster-se do que faz mal e renovar-se na felicidade esperada.
Até as respostas que buscamos são ilhas.
São ilhas soltas ao tempo que procuram um rumo seguro.
Assim, da forma de um coração pedinte e suplicante.
Preciso continuar sendo ilha.
Quem sabe, eu possa me reconhecer.
Mas se não tiver o abraço que tanto espero.
Serei ilha em formação.
Nilson Ericeira)
(Robrielle)



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