Carta de saudade

Ah meu peito suplicante, amante,
falante, delirante…
Por favor não me esgotes
Ainda bem que me és fonte de amar
Pois se não o fosse, esgotarias completamente
Então me secarias por dentro e ossos
É que têm momentos que bate uma saudade que alaga
Então, recolho-me a mim mesmo em consolo e diálogos
Feito um ancião que vive a falar consigo mesmo
Num mundo só dele e de personagens suas
Por estas razões é que resolvi diluir saudade em expressão
Pois lá no coração há um amor ‘jorrante’
Rasgando em lágrimas sentidas e consentidas
Pois de um coração-oceano
Ainda bem que não me sufocara ainda
Pois o amor é condimento da minha vida
Assim sigo, reprimindo os ecos de um amor tão distante
Esticando as letras e tornando-as sintaxes da minha vida
Pois igual a um artesão que puxa os fios da vida
Eu me sacio no melhor alimento que existe
Pois do amor que sinto, saudade não me há de calar
Por mais que dissimule em tempo presente
Juntam-se as estações da vida
Assim, celebro saudade em mim consentida
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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