Pai, eu te amo

Pai, eu te amo
Corre no meu ser o teu sangue
Sou um composto do teu amor
Por vezes, olho-me no espelho da vida
Vejo-te em mim
Uma identidade genotípica e fenotípica
Lá do céu eu sei que você me vigia
Pois há uma simbiose em nós
Às vezes, choro e rio ao mesmo tempo
Numa confusão de sentidos
Profusão de sentimentos
É que há coisas que o tempo e a distância não apagam
O teu amor em mim é assim
É certo que o procuro todos os dias
Na nossa casa, nas nossas coisas, nas nossas conversas
Ah, como me ensinava na prosa
Por vezes, basta uma olhar, eu já compreendia
Hoje e sempre eu agradeço pelo endereçamento moral que me deste
Lembro-me quando me corrigia de tantas coisas
Algumas delas pareciam bobagens
Mas não eram, eram orientações para a vida
Um dia, você se foi…
Quase no último momento, ‘reconheceste-me’!
Pudera, fizemos tantas coisas juntos
Mas você continua e continuará no meu coração em luz,
igual ao sol das manhãs
É verdade que sempre fomos muito amigos
E você me tinha como um vencedor,
um desbravador de coisas impossíveis!
Porém, eu sempre soube das minhas fragilidades
Senti a sua falta quando sair de casa ainda muito jovem e cair no mundo
Um dia fora me buscar, mas eu fiquei
Teimoso, resistir e lutei sempre levando à frente os seus ensinamentos
Por ser um ser honesto, é o espelho da minha vida
Meu pai, é o ser humano em que me miro todos os dias
Ainda que carente dos teu abraços
Eu te amo e amarei para sempre
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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