
Aêêêê derressol!!! Picolé, picolé alvorada!!!
Lembro-me perfeitamente que as ruas e pátios da nossa Arari eram os nossos parques de diversões. Naquele tempo, o mundo lúdico nos projetava para um futuro imaginário, mas antes vivíamos tudo aquilo numa realidade em que éramos felizes.
Brinquedos e brincadeiras fazem parte da nossa vida, porém para a firmação do aprendizado da vida, o melhor que fazemos é levarmos a sério nossas brincadeiras de infância.
Eu sei que nos deslocar no passado nos põe no presente, pois é assim que a vida fica mais prazerosa. Naquele tempo, meninos e meninas brincavam juntos ou separados, é que havia brincadeiras em que cabiam todos. Não tínhamos maldade uns com os outros.
Nunca deveríamos negar o que passamos, com quem passamos e por que passamos.
Antes, preparávamos nossos apetrechos: uma lata de sardinha virava um carrinho, um pedaço de isopor coberto com chumbo e alguns traços, um João teimoso, de um pedaço de arame um chuchu, de uma palha de coqueiro um cavalo galopante, de um resto de tinta, um palhaço, de uma folas de papel, gerações de famílias, todos de mãos dadas em carreirinha. Ainda que escutássemos o grito de nossas mães chamando para o almoço, nada nos era mais importante que nossas brincadeiras e brinquedos, éramos ricos e não percebíamos!
De papel ou palha entrançadas fazíamos nossos porta-cédulas! Cada carteira de cigarro tinha uma valor, rico era quem tinha mais ‘ministão’!
Eram tantas coisas! Sei que, por mais que me esforce, jamais completarei meu texto. Nossas fazendas de ossos, nossos carros de lata – sempre os mais novos modelos, nossa bola emendada com bandas diferentes, jogos de tampinhas e carteiras, petecas e tantos outros. Mas quando a noite chegava já estávamos apostos para salvar a latinha, boca de forno ou peixinho moquém. E as brincadeiras na beira do rio, quanta saudade!
E olha que nos sobrava tempo para ajudar nossos pais nas tarefas de sobrevivência, só para que se tenha uma ideia, éramos convocados para contribuir com a parca renda familiar. E, ainda, vendíamos picolés, ‘manuês’, bombons, bananas e outros apetrechos.
Nesse contexto, entendo que as nossas obrigações não atrapalharam a nossa infância, muito pelo contrário, formaram homens e mulheres íntegras dos quais nos orgulhamos.
Concluo afirmando que a aparência e a estética ofuscam ou anulam a nossa essência.
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