
Sei que vou navegar no teu rio
Meará meu ser completamente
Puxar água e meter remo
Em Arari vou ancorar para sempre
Descer rio abaixo e deixar a maré me levar
Devendo o rio que me leva e levo comigo
Vou pescar, pescaria de peixes!
Mas certamente avisarei em tuas margens sericoras, jaçanãs e escutar japi cantar
Enquanto olho para o céu e vejo gaivotas…
Em bando, riscando o céu…
É que ararizei meu ser de um amor inteiro
E fiz canteiros de amor em mim
Agora tarrafearei, mas antes vendi balinhas, baleros
Vendi balas na escola e agora vo aventurar
Então, jogo minha linha certeira
O que vier: tubis, capadinhos, mandis, tubajarás, lírios, mandubés…
Não importa o que é, caiu na rede é peixe
O que vier será comestível
Assim, subirei maré com a boia pêga
Então, meara em mim Rio Mearim
Deixa tuas águas passarem…
Que eu ‘só rio’
Assim, descendo para o mar
Antes que a pororoca chegue
Em ti vou ancorar, pois em vida
Eternizarei tua vida em mim
Aliás, vou esgotar canôa
Enquanto aqui da prôa,
sinto a maré chegar
Puxa água, mete remo
Nilson Ericeira
(Robrielle)
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