Indigência poética

Faço versos

Pois incompleto

Incompletos

Imperfeições me moldam

Meus versos, disfarces

Dissimulações

Inquietudes

De ter o que não tenho

De não segurar o que tive

E de me iludir que tenho tudo

Então faço versos

Porque sou gente que não aprendeu

Que divaga, viaja, senta, inexiste!

Porque sou partícula

Ante ao universo

Sou o verso

O anverso

O uni-verso

Por vezes sou nada

Noutras, folhas à deriva

Que procura acento

E quer se adubar

 Nilson Ericeira