10 de fevereiro de 2026

Alma cálida

Alma
que silencia

Mas
que escorre corpo afora


fora em ebulições

De
tão buliçosa alma minha

Que
por vezes definha

Alma
de gente, portanto,

Efervescente!

Quisera
mesma à deriva

Sem
que nem me sentisse, falasse, amar-se

Pois
assim seria como quem não tivera

Antes,
pudera ser uma alma virgem

Com
o tempo, prostituiu-se

Viu
o mundo e ganhou asas

Vestiu-se
de santa,

encobriu-se
com o nada

Velejou,
voou, sumiu…

Agora
até parece não querer mais se assentar

É
que vive em devaneios

E,
ainda, sobra-lhe tempo

Para,
de vez enquanto, me expiar

Por
outro molde,

objeto
que sou do mundo

Que
em nada me pareço com ela

Pois
nenhumas semelhanças tenho

Mesmo
que ela é do meu espírito parido

Arde
em mim cálida alma

Que
teve sorte de ter o meu corpo por indexo

 Nilson
Ericeira