24 de fevereiro de 2024

Coração de papel

Coração de papel
Acho que tenho o Coração de papel
Desmancha-se, alaga de saudade
Sedento, expõe-se ao mundo
Conta minhas confidências
Vai buscar quem mora longe
E se exalta na expressão do amor
Enche e derrama, esvazia-se igual maré vazante
Destila-se em tintas feito papel de sêda
Ofusca dores, recarrga-se
E assim vive alimentar minha vida de sonhos, possíveis e impossíveis
Lá no fundo, eu penso que meu coração é de papel
Antes fosse de conjuntura orgânica
Talvez assim, não me desmanchasse
Nilson Ericeira