22 de fevereiro de 2024

Alma do invisível

Ah a minha alma que não vejo

É a mesma que te procura e divaga
Que passa dias e noites à deriva
Levita do corpo meu e sai por aí
É a mesma que tem forma, sentimento, corpo e alma
E que ninguém a define
Pois do indefinido faz mundo
E de projeções…
Ah minha alma ambulante que me acompanha sonâmbulo
Que às vezes tão robusta e cheia de vida
Noutras, definha
Ah alma minha, o que o corpo meu sente
Ainda bem, de um mundo indiferente
Pois se a dor se sentisse bem antes do corpo
Há muito já em sepulcro
É que me posto a me consolar nos meus próprios atos
O que penso, o que vejo além de mim, muitos obscurecem
Por isso te dou vida, mesmo que pesado fardo seja
E te faço indexa a meu ser
Pois parte de mim já partiu
A outra a definhar, mesmo que riso tenha
Pois eu sou um composto em decomposições
Mistura que a vida me fez
Mas ainda bem que sinto o amor no meu coração
Nilson Ericeira