20 de fevereiro de 2024

O fio da navalha

Corta-me
tão cegamente que antes deveria amolá-la

Ou
amoldar o seu fio para não fazer corta

E
quem não corta, não fere e nem sangra

Quem
não sangra, seu sangue estanca

Quisera
que o fio da navalha não me cortasse

Nem
me amolasse

Pois
assim chateação não teria

É
que vida molda o homem

E
homem fere-se, fere, adoece e morre

Com
o fio da sua navalha fala e fala…

Com
a língua afiada fere

Com
a sua bocarra corta feito navalha afiada

Com
os ouvidos nem sempre ouve

Ouvida-se,
amolda-se

Pobre
homem pobre que vive a tecer fios

Hora
afia-se, hora cega

Pois
com o seu egoísmo, ilha-se

Melhor
seria não ter fio nem navalha

Pois
navalha corta em dois gumes

E
fere o ser, o corpo e alma

Ainda
bem que é só subjetivações

Pois
assim, freio o fio, e poupo meu coração

 Nilson
Ericeira