POESIA DE TODOS OS DIAS

Dons de amar e/
ou a negação imprópria
Eu queria ter um dom
Mas não tenho
Sou vazio em mim mesmo
Nego-me na minha incompletude
Preencho-me com letras postas
Letras mortas, vidas…
Recanto, abrigos…
Assim caminho, buscando as coisas do mundo
Mas gosto mesmo é de gente
De ser gente
Gente que abraça,
que abrasa e desperta o coração
Com abraço no peito, sentido no coração
Mas eu não tenho dons
Sou ‘escrevedor’ de coisas
Vivo a me iludir com o que deveras posso
Acho que as pessoas vazias são assim
Seu bem-estar está em outrem
Alhures…
Além de mim, de nós e vós
Daquele tipo que navega em nuvens com os pés no chão
Chora por amar, sente saudade e alaga-se
Assim, vou escrevendo a vida com substrato dela
Ainda bem que me autorreconheço
Não me faço de rogado
Toda vez que quero sentir
Antes dos meus olhos alagarem,
recorro ao meu coração
Se eu tivesse um dom, ah se eu tivesse
Te traia para a cena principal
Seriamos atores e cenas em corpos
Não importa se partido, anexos ou divididos
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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