POESIA DE TODOS OS DIAS: ‘A sequidão poética’

Quando meus versos faltarem
Não mais versarei
A fonte certamente secará
Faltara-me a voz, o som e ecos
Quando não mais versar
É porque tudo passou e eu passarinho…
Passarinhei, passei…
Quando meus versos cessarem
Partirei para muito longe,
sem som, sem cor, sem tons
Minhas tintas secarão também
Pois não saberei mais juntar letras
Pô-las em gestos subliminares
Não saberei nem mesmo dizer o quanto te amo,
amei e amarei
Quando meus versos sumirem
Não mais terei a visão do amor
Ainda que no coração te levarei para sempre
Quando meus olhos alagarem e ainda assim não versar
É por que o amor foi diluído com o tempo
É, o empo passou,
e deixou meu coração ferido
Quando meus versos calarem,
morrei sozinho na solidão poética
Sem mais pelo menos ouvir meu próprio canto
Desiludido voarei na abstração do infinito
E, talvez, pousarei num lugar imaginário
Sei lá onde vou me autoperceber
E, lá do alto, aprenderei novos símbolos
E a linguagem do meu amor, ressuscitará meus versos
Pois eu confesso que te amarei eternamente
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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