Poesia de todos os dias: ‘O sopro do vento na banda de cá’

‘O sopro do vento na banda de cá’
Sobra o vento quente na pele ardente
Corre no corpo um sangue vermelho
Ainda que tivera impaludismo não amarelou
Verte no coração uma Nação
Que não se entrega, não se algema nem curva
Pois agachados os bestiais que se iludem por lá
Verte na minha alma democrática
Amor por minha própria Nação
Ainda que esperneiem, a voz das ruas ecoa
Pois faz ecos entre nós
Salve-nos então dos grilhões da ditadura
Ainda que sinta pena dos brasileirinhos do amanhã
Pois com futuro comprometido por marginais
Assim sobra o vento do lado de cá
Querendo-se pertencer a si própria
E não se deixando iludis com ópio alheio
Pois ver no peito uma fadiga,
a de não se entregar para hipócritas
Sangra minha alma no meio da noite
Pois esconde-se com medo de monstros
Mas calma, o vento ainda nem te tocou
É que sinto o cheiro de enxofre
Só pode vir dos velhos porões
Calafetados com os vernis ‘modernos’
Com ares de superficial
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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