A cidade sitiada

Vivemos numa cidade sitiada
A violência não é todo o mal
O mal maior vem de antes
Muito dantes
Tem faces por vez obscuras
Traumas anteriores!
Os cárceres de que nos propõem e sujeitam
Não são frutos do agora
Antes me cegaram, calaram, emudeceram…
Me molestam em cores
E em preto e branco
Levaram as minhas cores e tons
Puseram-me numa cidade sitiada
Que, ainda assim, é amada!
Idolatrada entre outras mil
Mas a culpa é minha que me sujeitei a tributos
E que os deleguei atributos
Que me cercaram, prenderam-me
e podaram minhas asas
Porém, para o nosso consolo, a cidade é nossa
A dor é nossa, as ferida também
O desalento e angústia convém
Sobra-nos desilusões
Mas disso não nos podemos preocupar
Pois em novos pacotes os embrulharão
E tudo volta a ser como querem os sitiadores
Aos sitiados, o cárcere
Nilson Ericeira
(Robrielle)



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