Minha avó Bibi, meu avô Palaio e o amor pelos netos

Maria da Graça Silva Sousa, a nossa Bibi, era uma mulher aguerrida, muito raramente ouvíamos se queixar da vida. Bem amanhecia o dia, lá estava ela na sua labuta diária, que ia da produção de azeite de côco de babaçu à sua horta sempre muito bem cuidada.
Ela fazia muito mais, dedicava-se ao amor que sentia pelos seus filhos Zinha e Clecy (meu pai) e netos. Porém é verdade que ela tinha seus netos preferidos, percebíamos na forma como os tratava. Assim, Bibi reservava seu amor para todos, mas muito especialmente a Paulo César Ericeira, Nilde Costa e Alyson. Já no final da vida, eu percebi uma afeição diferenciada dela por mim, pois prestava muito atenção aos seus ensinamentos.
Maria da Graça Silva Sousa era casada com meu avó Eulálio Rodrigues de Sousa (Palaio). Na minha infância eu presenciei a relação dos dois, apesar de muito trabalho, sempre unidos e compartilhando a luta, tato era que ele sempre a ajudava nas tarefas que costumeiramente executava. Palaio cuidava de animais, vendia ovos, banana, leite, azeite de côco e outros produtos da lavra do trabalho dos dois. O forte de Palaio não era pescar, mas ainda assim o acompanhei duas ou três vezes na pescaria de jeju nas valetas da BR 222. Antes, nos preparávamos com iscas de jia que pegávamos mesmo nas poças em frete a sua residência no Carne Sêca. Na pescaria, demonstrava uma paciência que raramente tinha no dia a dia comigo.
A minha avó Bibi começou a lavar e passar roupas com o advento da construção da ponte Itapoã. Cenário em que vieram muitos trabalhadores de fora para morar em Arari. A ponte constitui-se numa revolução, pois além de mexer com a economia local, serviu de aproximação com outros munícipios através dela.
Enquanto a ponte era construída, os viajantes usavam a lancha do senhor Dico Guimães, atracada ao pontão para o transporte do carros. Naquele tipo de trabalho, o meu avó Palaio formou uma grande amizade com ‘seu Dico’, uma das mais bonitas que já vi. Mas eu era apenas uma criança que via além dos olhos!
Ali, ao lado da ponte, tanto na margem de cá quanto na Trizidela, formaram-se pontos comerciais de venda de iguarias. Assim, alguns armaram suas barraquinhas à margem do Mearim.
Lembro-me perfeitamente de meu avô Palaio montado no seu cavalo branco vendendo leite e ovos nas ruas de Arari, do mesmo modo que sinto o cheiro do azeite de côco feito por minha avó Bibi. Pois é com essências e imagens memoriais que demonstro minha gratidão por tudo que fizeram por nós.



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