Do último Livro: ‘Superando o analfabetismo funcional e a exclusão social’

Por Nilson Ericeira

Superando o analfabetismo funcional e a exclusão social

Uns dia da minha vida em que não tinha a devida compreensão do que era ser um analfabeto funcional, embora sendo, não levava a sério o conhecimento. Ainda que sempre contasse com a insistência da minha mãe Eliesita Ericeira para que permanecesse na escola.

E quantas vezes a minha mãe foi me levar à escola com a ‘ordem’ de que não era para me liberar por nenhum pretexto.

Fato é que aos poucos fui me dando conta do prejuízo que que fora importo pelo desinteresse pelos estudos. Do mesmo modo que escutava determinadas conversas sem compreendê-las. Pouca informação logo me casava embaraços.

Lia e não compreendia e me via excluído do debate. Passei pelo ensino básico, enfrentei vestibulares como um analfabeto funcional incomodado com a minha própria situação. Assim cheguei à Universidade, logo no curso de Comunicação, onde é imperativo que sejamos leitores e redatores, pelo menos.

Ali, a luta de mim comigo mesmo se tornou mais árdua, pois não compreendia a maioria dos textos passados em salas de aula. Dou graças por ter me conduzido com a humildade dos que nada sabem e aproveitei todos os insumos da academia. Contexto em que tive bons professores e excelentes colegas de turma.

Meus colegas eram muito mais letrados do que eu, mas nada me tirou do debate, ainda que com insipientes argumentos.

Confesso que travei debates, estimulei outros e sempre me postava como alguém que se interessava pelo conhecimento, assim, sempre me autoanalisei para que pudesse melhorar meu aprendizado. Lembro-me que, bem antes, ainda prestando vestibular, não foram poucos os livros que eu li sem compreender quase tudo que lia. Mas algo me dizia que deveria insistir em investir em mim mesmo. Outro exemplo, é quando tive acesso ao Caderno mais da Folha de São Paulo, separava pela importância do conteúdo que sabia comportá-los, porém não compreendia a literatura contida. Assim, fiz lotes e lotes desse encarte.

Hoje, se não estou curado, leio como exercício de alimentação diária. Compreendo quase tudo do que leio. Isto é um claro sinal que sair de uma cegueira extrema à luz da vida.

Tudo isto para dizer que todos podemos superar nossas dificuldades quando reconhecemos o nosso estado, ainda que nos custe lutar contra a estética e o preconceito, pois a pobreza material não é base para a pobreza espiritual.